II Seminário Nacional DPU Mulheres discute gênero, raça e vulnerabilidades

Brasília – Teve início nessa segunda-feira (23) o II Seminário Nacional DPU Mulheres, com o tema Feminismos Plurais – somos muitas, de muitas cores, com muitas histórias. O evento, que segue até o dia 27 de novembro, é uma iniciativa do Grupo de Trabalho Mulheres, da Defensoria Pública da União (DPU), em parceria com a Escola Nacional da DPU, a Associação Nacional das Defensoras e Defensores Públicos Federais (Anadef) e com a Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro.

O seminário visa consolidar, no cenário nacional, um espaço democrático e plural para a discussão da temática de gênero e dos direitos das mulheres, com uma perspectiva de defesa e promoção desses direitos. Participaram da mesa de abertura o defensor público-geral federal em exercício, Jair Soares Júnior; a diretora da ENADPU, Olinda Moreira; a defensora pública federal Maria Cecília Lessa, membro do GT Mulheres; a presidente da Anadef, Luciana Dytz; e a defensora pública no Rio de Janeiro e coordenadora de Defesa dos Direitos da Mulher da DPE-RJ, Flávia Nascimento.

“Queremos pensar como o feminismo pode ser uma construção em defesa de mulheres brancas, negras, indígenas, heteronormativas, lésbicas e transgênero, ainda que estejam em conflito com a lei ou encarceradas. Um feminismo para a dignidade de todas as mulheres”, disse Maria Cecília Lessa. A defensora também lembrou que, em 2020, a DPU aderiu à campanha mundial 16 dias de ativismo pelo fim da violência contra as mulheres, um movimento global que acontece no Brasil desde 2003, com a participação de diversos órgãos e instituições.

Já o defensor geral em exercício, Jair Soares Júnior, ressaltou a importância de espaços de diálogo como este para a evolução da sociedade. “Esse tema é muito importante e caro para a DPU. Fico muito lisonjeado de ser o único homem presente nessa abertura, o que mostra o significado e a simbologia do seminário. Por incrível que pareça, a questão de gênero ainda é um tabu na sociedade brasileira. Precisamos de novos pensamentos, e eles só se dão a partir de espaços de diálogo como estes, que são fundamentais para se mudar culturas”, afirmou.

Gênero, Raça e Interseccionalidade

Na primeira mesa do Seminário, foi discutido o tema “Gênero, Raça e Interseccionalidade: Onde as Vulnerabilidades se Cruzam”. Com mediação de Flávia Nascimento, participaram Mariah Rafaela da Silva, mestra em História, Teoria e Crítica da Cultura pela Universidade do Estado do Amazonas, doutoranda em Comunicação pela UFF, professora substituta na Escola de Belas Artes da UFRJ, e Lívia Sant’Anna Vaz, promotora de justiça do Ministério Público do Estado da Bahia, coordenadora do Grupo de Atuação Especial de Proteção dos Direitos Humanos e Combate à Discriminação do MP-BA.

Abrindo a mesa, Mariah Silva partiu do assassinato de João Alberto Silveira Freitas, morto em Porto Alegre por seguranças do supermercado Carrefour, para pensar o tema “Imagens do horror pintadas a sangue no imaginário social – o colapso humanista e a produção de vulnerabilidades”. Lembrando diversos casos de violência contra pessoas negras e comunidades vulneráveis, Mariah discutiu a forma como as imagens de violência divulgadas pela mídia funcionam como dispositivos coercitivos e de controle para manter a ordem social.

Somando à fala da colega, Lívia Sant’Anna Vaz apontou que a culpabilização da vítima é um elemento central tanto para a violência de gênero quanto para a racial. “Nós sabemos muito bem quais são os corpos selecionados para estar encarcerados em massa e serem o foco da necropolítica estatal”, disse.

Assista à íntegra do debate

Confira a programação completa do II Seminário Nacional DPU Mulheres

KNM
Assessoria de Comunicação Social
Defensoria Pública da União