Enfrentamento da violência contra mulheres de Pirajá (BA) é tema de evento

Salvador – O Espaço Casa Verde, no bairro de Pirajá, sediou o I Encontro de Enfrentamento da Violência contra as Mulheres de Pirajá, na manhã de terça-feira (27). Na ocasião, foi lançado o Núcleo de Atendimento à Mulher em situação de violência. Organizado pela Unidade de Emergência de Pirajá (UEP) e pelo Núcleo de Apoio ao Desenvolvimento de Pirajá, o objetivo é oferecer assistência às mulheres e usuárias do Sistema Único de Saúde (SUS), vítimas das mais diversas violências. A defensora pública federal e coordenadora do Grupo de Trabalho Mulheres, da Defensoria Pública da União (DPU), Charlene Borges, participou do evento.

A defensora pública federal Charlene Borges falou da atuação da DPU no GT Mulheres, na defesa das mulheres carentes em processos perante a Justiça Federal, em todos os graus de jurisdição. Além disso, o grupo promove campanhas de esclarecimento de direitos, elabora pareceres, notas, recomendações à Administração Pública direta e indireta para resguardar direitos das mulheres, entre outras medidas. Para Borges, “o reconhecimento da condição de vulnerabilidade das mulheres tem por finalidade dar visibilidade às incontáveis violações de direitos de que são vítimas cotidianamente”..

Cerca de 130 mulheres compareceram ao encontro, que também contou com a presença da enfermeira e pesquisadora da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Jamile Oliveira; da advogada e fundadora da organização não governamental TamoJuntas, Laina Crisóstomo; da representante do Centro de Referência de Atenção à Mulher Loreta Valadares, Tânia Palma; da secretária de Política para as Mulheres, Julieta Palmeiras; da Coordenação da Regulação Estadual; e do diretor da Unidade de Emergência de Pirajá, Erenilton Café.

Autora do estudo “O Itinerário de Mulheres Vítimas de Violência Sexual”, na Escola de Enfermagem da Bahia, Jamile Oliveira iniciou o debate apresentando à comunidade dados estatísticos da violência no bairro. Conforme exposto, Pirajá é o sétimo colocado no ranking de notificação de violência e, segundo Jamile, esse número pode estar subestimado em virtude da não notificação dos profissionais de saúde nas redes. Para a pesquisadora, o intuito principal do projeto é “constituir um núcleo de atendimento às vítimas de violência (…) onde essa mulher não precise sair da comunidade para ser assistida, esse núcleo será constituído do corpo multiprofissional de saúde, corpo jurídico e ainda está no processo de construção para que a gente possa agregar mais serviços”, afirmou.

Para a moradora e participante do Movimento das Sete Mulheres, Nerivania Silva Ferreira, 37 anos, o evento é importante para o empoderamento e a autonomia das mulheres. “Costumo dizer que vivia em um casulo anos atrás porque eu foquei achando que, como tive filho e marido, não podia fazer mais nada, hoje eu dei um salto e graças a Deus estou estudando. É isso que quero levar para frente e ajudar a essas mulheres”, disse.

MMO/MGM
Assessoria de Comunicação Social 
Defensoria Pública da União