Salvador – A vida de V.J, 47, mudou nessa quarta feira (21) quando membros da Defensoria Pública da União (DPU), do Ministério Público do Trabalho (MPT) , da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego (SRTE) e da Secretaria de |Justiça,  Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (SJDHDS) chegaram ao apartamento no bairro de Nazaré, área central de Salvador, para verificar suas condições de trabalho após denúncias anônimas. Natural de Santonópolis, a 147 km da capital, a assistida desde a adolescência trabalhava cuidando da residência e de idosas de uma mesma família, sem direito a qualquer descanso semanal. Ela foi resgatada pela força-tarefa e encaminhada a um abrigo.

Quando veio para capital com apenas 15 anos, J.V ficou encarregada de cuidar de uma senhora centenária e da casa, onde também moravam outras três idosas. Em 2001, elas se mudaram para Amargosa levando a assistida. Pouco tempo depois, a mais velha faleceu e,em 2008, as idosas decidiram retornar para o apartamento de Salvador, sempre aos cuidados exclusivos de V.J.

De acordo com o defensor federal Ricardo Fonseca, que acompanhou a operação, a assistida só passou a receber salário pelo trabalho prestado em 2018, após alerta de terceiros, mas nunca gozou férias, não recebeu horas-extras e continuou sem direito ao repouso remunerado.

Ao ser resgatada, a assistida relatou que, na década de 90, um dos irmãos das idosas, J.L, forneceu-lhe roupas e, ocasionalmente, dava algum dinheiro para ela. A assistida juntou toda a quantia e, anos depois, conseguiu comprar um aparelho celular. V.J contou ainda que, durante essas três décadas, nunca foi à praia, pois não havia outra pessoa para cuidar das idosas, e foi uma vez ao shopping, para consertar o celular. No dia a dia, a trabalhadora tinha o hábito de sair apenas para ir à padaria ou mercado próximos de casa. Por conta do trabalho, assistida nunca namorou, nem voltou a frequentar a escola.

Até 2020, quando a sobrinha de uma das idosas contratou outra empregada para cozinhar, a assistida cuidava de todos os serviços sozinha. Segundo Fonseca, a partir de agora  todas as verbas que a assistida tem direito serão discutidas.“Ela estava muito feliz. O sentimento é de muita satisfação em libertar uma pessoa de uma situação tão indigna e, ao mesmo, de tristeza por constatar que isso ainda é normal na sociedade brasileira, principalmente no que tange o trabalho doméstico”, destacou.

Além do defensor, integraram a operação as auditoras fiscais do trabalho Tatiana Fernandes, Fernanda Bucker e Liane Durão, a procuradora do trabalho Maria Manuella Amaral e o coordenador do Núcleo de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas e Trabalho Escravo da Bahia Admar Fontes Junior.

RGOD
Assessoria de Comunicação
Defensoria Pública da União